Covid-19: no meio da pandemia, a Casa Branca ficou pequena de mais para o Presidente e um cientista
Donald Trump partilhou uma mensagem no Twitter em que se apela ao despedimento do imunologista Anthony Fauci, a principal figura da equipa de combate ao novo coronavírus nos EUA

Nos Estados Unidos, o médico Anthony Fauci, considerado o mais importante especialista em doenças infecciosas do país e um dos principais integrantes da força-tarefa criada pela Casa Branca para responder à pandemia, costuma contradizer o presidente Donald Trump nessas e em outras questões ligadas ao novo coronavírus.

Nos últimos dois meses, à medida que o novo coronavírus ia engolindo algumas das regiões mais importantes para a economia dos Estados Unidos, da Califórnia a Nova Iorque, o debate sobre o equilíbrio entre salvar vidas e salvar postos de trabalho foi ganhando forma à volta de duas figuras que partilham o palco nas conferências de imprensa diárias sobre a pandemia, o Presidente Donald Trump e o imunologista Anthony Fauci. Mas foi só nas últimas horas que surgiram os primeiros sinais claros de que a Casa Branca começou a ficar pequena de mais para os dois: no domingo, Trump partilhou no Twitter uma mensagem em que se apela ao despedimento de Fauci e deixou o país em suspense sobre o que vai acontecer nos próximos dias.

Diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos desde 1984, Fauci é um dos principais especialistas do mundo em epidemias, tendo servido nos governos de seis presidentes de ambos os partidos (Ronald Reagan, George Bush, Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump). Teve papel crucial no combate a diversas epidemias anteriores, principalmente a de HIV/Aids, a partir dos anos 1980.

O cientista de 79 anos de idade defende que regras rígidas de distanciamento social devem ser mantidas em todo o país para conter o avanço do novo coronavírus. Até quinta-feira (09/04), os EUA, principal epicentro da pandemia, já registravam mais de 455 mil casos e mais de 16 mil mortes.